Redação no Enem e as Chamadas Fake News

Vivemos o auge da era da informação. Nunca na história do mundo as informações circularam de maneira tão rápida e dinâmica. Num passado nem tão distante, as pessoas se informavam pelos jornais diários e pelas revistas semanais, impressos, pelos jornais televisivos e pelo rádio; hoje temos mais uma fonte de informação: a internet.

Hoje mesmo, ao iniciar o estudo do gênero notícia com meus alunos do sétimo ano, contei como fiquei sabendo do ataque às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, no dia 11 de setembro de 2001. Eu cheguei da escola mais tarde do que o usual, pois havido ido jogar handebol num campeonato interescolar e, ao chegar em casa, minha avó comentou que a Sessão da Tarde, na rede Globo, havia começado mais cedo e que estava passando um filme de guerra. Só então prestei atenção e vi que era uma transmissão ao vivo, direto dos Estados Unidos, informando sobre o ataque terrorista às Torres Gêmeas.

Minha avó era uma imigrante italiana que não sabia ler nem escrever e que, nos afazeres do dia a dia, não deve ter prestado a devida atenção e se confundiu com o noticiário. No mesmo instante expliquei para ela do que se tratava e não tiramos mais os olhos da televisão naquele dia tão triste.

Caso um ataque desses ocorresse hoje (e esperemos que não ocorra), ficaríamos sabendo quase que instantaneamente por meio dos nossos smartphones. Nem precisaríamos acessar um portal de notícias, pois nosso círculo de amizade e familiares nos avisariam por meio dos aplicativos de mensagens. Se em 2001 eu tivesse um smartphone, saberia o que haveria acontecido no meio do jogo de handebol.

Mas naquele época não existia smartphone e a internet gatinhava no Brasil. Os celulares já existentes, além de enormes, eram caros e o acesso à internet era pela linha telefônica, discada, e também muito cara. Com a popularização da rede, o acesso ficou mais rápido, mais dinâmico e mais democrático, pois ficou muito mais acessível ter internet em casa e no celular.

Hoje, podemos acessar notícias e informações da nossa cidade, da nossa região, do nosso estado, do Brasil e do mundo apenas tocando nas telas de nossos celulares; algo que acontece do outro lado do oceano Atlântico é divulgado aqui em poucos minutos, com atualizações constantes ao longo do dia se assim for preciso. Os jornais diários e as revistas semanais impressas, inclusive, perderam espaço e assinantes e hoje podemos assinar sua versão online e lê-los onde quisermos.

Além do acesso às notícias, temos acesso a conhecimentos de todas as áreas de estudo e de pesquisa, e podemos estudar qualquer assunto via internet.

No entanto, o que era para ser algo muito positivo também tem seu lado muito negativo, como tudo na vida. As fofocas e os boatos, que existem desde que o mundo é mundo, ganharam uma enorme proporção com a internet e com as redes sociais e se transformaram no fenômenos das fake news, ou seja, as notícias falsas.

Uma grande parcela dos usuários das redes sociais compartilha notícias falsas sem antes lê-las e checar se elas são verdadeiras ou não, o que causa um imenso transtorno e grandes confusões, sendo um verdadeiro desserviço a todos.

As fake news vão desde a notícia que guardar cebola na geladeira faz mal até calúnias e difamações, como foi o caso da notícia falsa de que a Marielle Franco, vereadora carioca assassinada juntamente com seu motorista (leia mais), Anderson, fora casada com um traficante do Rio de Janeiro.

Mas você deve estar se perguntando o que as fake news têm a ver com a redação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). E eu respondo: tem tudo a ver na atual conjuntura.

Toda dissertação-argumentativa aborda um tema real da vida cotidiana e, no caso do Enem, com cunho social. Nesse contexto, toda grade de correção que se preze avalia se o texto faz sentido (coerência interna) como unidade de sentido e se faz sentido com a realidade externa à prova (coerência externa).

Resumindo: caso um participante da prova de redação do Enem use como argumento ou estratégia argumentativa um dado falso ou uma fake news, isso será desconsiderado no momento da correção, pois não cumpre a coerência externa.

Por isso, ao estudar para um dos temas possíveis da prova de redação do Enem na internet, sempre cheque a informação ou a notícia se ela lhe pareceu estranha de alguma forma, se não há autoria (se não há assinatura do autor do texto), se foi publicado por um meio de comunicação não conhecido da grande mídia, se há frases de efeito etc.

No infográfico abaixo há mais dicas de como evitar as fake news:

Evitar as fake news é de primordial importância, pois o alcance delas na rede é imenso, como mostra um infográfico que exemplifica os resultados de uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP):

Até a próxima semana!

 


*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português e mestra em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em importantes universidades públicas e do Curso Online do infoEnem. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC).

 
**Camila é colunista semanal sobre redação do nosso portal. Seus textos são publicados todas as quintas!

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