Redação Enem 2013: Tudo sobre o Guia do Participante

Ontem, dia 05/09, foi divulgado pelo Ministério da Educação e pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) o Guia do Participante sobre a redação no ENEM 2013, uma nova edição que contém as matrizes de referência, as cinco competências explicadas detalhadamente, inclusive suas respectivas pontuações, uma explicação sobre a proposta de redação do ENEM 2012, a última prova, e cinco exemplos de redações nota máxima (1.000), justamente, do ENEM anterior, o que já causou furor em várias mídias (internet, TV, jornais etc), pois o documento mostra três exemplos de redações nota 1.000 com “erros” ortogáficos, mas sobre isso falaremos mais adiante.

O Guia do Participante do ENEM 2013 pode ser acessado através deste link e é obrigação do candidato lê-lo, juntamente com o manual, para conhecer mais o perfil do ENEM e a correção da redação, já que ele contém informações acerca da correção em si e da grade de correção.

Há várias semelhanças com o Guia do Participante do ENEM 2012, como por exemplo, a explicação a respeito do tipo textual pedido (dissertação-argumentativa) e sua estrutura (tese, argumentos e proposta de intervenção social, sobre o qual já postamos vários textos ao longo deste ano).

Abordaremos, aqui, principalmente as alterações, pois sobre o conteúdo que permaneceu, já escrevemos vários textos que podem ser acessados no nosso portal.

A primeira mudança importante no ENEM 2013 é a diminuição do valor da discrepância (diferença de notas entre os dois corretores): elas diferem, no total, por mais de cem pontos ou se a diferença for superior a oitenta pontos em qualquer uma das cinco competências. Neste caso, a redação será corrigida uma terceira vez por um terceiro corretor e a nota final será a média aritmética das duas notas mais próximas, ou seja, a nota mais baixa será descartada.

A segunda mudança importante no ENEM 2013 foi o acréscimo de um requisito na atribuição da nota zero: impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto, o que foi o causo das redações com uma receita de macarrão instantâneo e o hino de um time de futebol no meio do texto. Na verdade, este ponto já constava no Guia do Participante do ENEM 2012, mas estava escrito de uma maneira mais implícita, digamos, e não explícita como está no Guia do Participante do ENEM 2013.

O documento, além de evidencar estas mudanças, enfatiza como “importantes” quatro pontos:

  • Cópia dos textos motivadores: o candidato é alertado, mais de uma vez, que não deverá copiar trechos da coletânea, pois estes servem para motivar, inspirar, fomentar ideias e a cópia significa que o candidato não escreveu um texto autoral e sim fez apenas uma cópia; além disso, as linhas da redação que contiverem trechos copiados dos textos motivadores ou das questões objetivas serão desconsideradas na contagem;
  • Letra legível: isso vale para qualquer exame, já que a letra ilegível impossibilita uma correção adequada, já que dificulta a leitura do corretor. Portanto, caprichem na letra! Não precisa ser bonita, mas deve ser legível;
  • Título: o ENEM coloca o título como opcional, mas pensamos ser uma parte fundamental de uma dissertação-argumentativa.
  • Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: como a implantação definitiva foi adiada para 2016, as duas ortografias serão aceitas no ENEM.

Em relação às cinco competências, podemos dizer que pouca coisa mudou; elas continuam as mesmas (veja quais são elas), mas a que mais cria polêmica na mídia é o domínio da norma culta da língua, a primeira competência. A banca afirma que uma redação com desvios gramaticais ou de convenção da escrita excepcionais, isto é, que não se repetem, pode receber nota máxima nesta competência (duzentos pontos) e os jornalistas, ontem mesmo, divulgaram aos quatro ventos que o Guia do Participante exemplificou redações nota 1.000 com “erros” gramaticais, como por exemplo, “espanhois”, sendo que a candidata escreveu a mesma palavra, outras vezes, corretamente.

O que temos a dizer a respeito disso, senhores, é que um desvio como esse é insignificante em relação ao restante do texto; se a redação atende à proposta tanto no tema quanto no tipo textual, se traz bons argumentos, alicerçados em estratégias argumentativas, se é coerente e coeso e se traz uma proposta de intervenção social, o que a falta de um acento, só um, prejudica? Tenhamos bom senso, até porque se formos corrigir tudo o que lemos, não lemos mais nada, apenas corrigimos, e não apenas desvios de acentuação… Obviamente que uma redação com desvios generalizados terá sua devida pontuação nesta competência, até porque estes desvios prejudicam todo o texto, mas não é o caso de um desvio isolado.

Ao explicar o que é tangenciar o tema (parcialmente e totalmente), o Guia do Participante traz exemplos sobre o tema do ENEM 2012 (O movimento imigratório para o Brasil no século XXI): tangenciou o tema o candidato que abordou a imigração de maneira geral, sem a associação ao movimento imigratório do século XXI ou que abordou a questão da situação e da presença do imigrante no Brasil, sem a associação a sua vinda ao país; fugiu totalmente do tema o candidato que, por exemplo, escreveu sobre êxodo rural ou urbano, migração, emigração ou outros assuntos variados.

Ao abordar o tema da redação do ENEM 2012, o documento traz orientações de como proceder ao fazer a prova, explicando o papel da coletânea textual (motivação), do tipo textual pedido etc, afirmando que o máximo de linhas permitido é de trinta linhas.

Ao exemplificar redações nota 1.000, o Guia do Participante dá a oportunidade ao candidato ao ENEM 2013 de ler e refletir acerca destes exemplos, pois são textos com excelentes notas, mas diferentes entre si. Por exemplo, o primeiro texto, a nosso ver, possui um título muito óbvio, já que é basicamente o tema, o que não recomendamos, também possui apenas um desvio de acentuação (saude), mas coloca muito bem a sua tese, recorre a conhecimentos econômicos ao citar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e o aumento da classe C brasileira para justificar o fato do Brasil ter se tornado atraente ao estrangeiro e cria uma proposta de intervenção social prática.

O terceiro texto, por sua vez, já traz um título até poético, bonito, relacionado a uma parte da redação, baseia sua tese no crescimento econômico brasileiro e tem seu ponto forte na proposta de intervenção social, bem detalhada, demonstrando um domínio da norma culta e dos recursos linguísticos usados na estruturação da argumentação.

Já o quarto texto não possui título, o que corrobora a afirmação do ENEM de que ele é opcional. Esta redação relembra os movimentos imigratórios para o Brasil desde os tempos da colônia até os dias de hoje, quando somos considerados um país emergente e cita os grandes eventos futuros, Copa 2014 e Olimpíadas 2016, como atrativos para estrangeiros.

O quinto e último exemplo também recorre a conhecimentos econômicos e políticos, como a participação efetiva do Brasil no cenários mundial e constrói muito bem sua paragrafação e sua proposta de intervenção social.
Leiam, candidatos, o Guia do Participante com atenção, o estudem de verdade para que, na hora da prova, nenhuma dúvida, em relação à redação, atrapalhe seu desempenho. Mais uma vez, boa sorte e bons estudos!

 


*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.

**Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos leitores! Suas publicações ocorrem sempre às quintas-feiras, não percam!

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