Possibilidades para a Redação do Enem 2003

No Enem do ano de 2003, a preocupação trazida pelos elaboradores na proposta de redação é ainda bastante presente, assim como os temas de anos anteriores, já discutidos em nossa coluna semanal. Pessoalmente, me pergunto quando seremos capazes de resolvê-la, já que se trata de uma das maiores mazelas de nosso país há muitos anos: a violência.

A frase temática pedia que o candidato elaborasse o clássico texto dissertativo argumentativo com o seguinte tema: “A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?”. Os candidatos de 2003 provavelmente ficaram bastante satisfeitos por precisarem falar sobre um tema tão recorrente e comum no dia a dia brasileiro e consequentemente mais tranquilo de se discorrer sobre. No entanto, qualquer um de nós fica chateado de ter que lembrar justamente que tal tema é tão recorrente e comum em nosso dia a dia, inclusive dezesseis anos após o tema.

De início o assunto pode parecer bastante familiar, por conta, infelizmente, dos altos índices de violência em nosso país. Porém, alguns cuidados são necessários. Ao conferirmos apenas o título da proposta, há abertura para muitos tipos de violência: contra a mulher, contra as crianças e adolescentes, a que provém da criminalidade, a policial e muitas outras. Por isso, como sempre relembro aqui, é preciso ler com atenção os textos motivadores, que são o que vai afunilar o tópico para que possamos nos concentrar em melhores desenvolvimentos e melhores sugestões de solução.

Conferindo os três excertos, o primeiro trata-se de um quadro mencionando os gastos do país com a segurança pública. O seguinte, que a criminalidade é fruto da desigualdade social. Já o terceiro trata da violência como uma epidemia que se espalha e da noção de justiça com as próprias mãos, já que insinua que a população tem achado que a retaliação violenta é o caminho da solução. A partir das três leituras, podemos deduzir que a criminalidade e a vontade de resolvê-la com violência em retorno são os pontos cruciais aqui, deixando nosso tema ainda melhor definido.

O desenvolvimento e a demonstração de conhecimento no tópico neste caso muito provavelmente devem ter sido bastante abundantes para os candidatos daquele ano, já que, tristemente, todos os dias somos expostos a informações e índices sobre a violência e a criminalidade em nosso país, estado, cidade e região. Tendo exemplos e índices a postos, fica bastante acessível escrever comprovando a presença do problema e como ele afeta a vida de todos os cidadãos. Há a possibilidade também de mencionar as notícias que dão conta da justiça com as próprias mãos, o que também configura crime e violência.

Depois de demonstrar com todos os dados à disposição que a violência oriunda da criminalidade é algo que traz extremo prejuízo ao país, não apenas econômico como emocional e moral, é hora de sugerir soluções. Os dois últimos textos da coletânea tratam da violência em qualquer forma como algo inaceitável e que não pode ser usado para resolver justamente o problema que busca-se combater, afinal, tratar da questão com o que exatamente se quer eliminar não faz muito sentido, certo? Então, deve-se partir para soluções completamente pacíficas e dentro da lei, sejam elas fornecidas pelo Estado, por cada cidadão ou por outras instituições, como escola ou igreja. Lembremos inclusive de que devemos respeitar os direitos humanos, já que provavelmente sugerir ataques físicos para solucionar qualquer coisa feriria esses direitos e nos conseguiria um belo zero na quinta competência, o que não queremos nem na redação, nem na vida! Uma possibilidade seria tratar o problema de “cima para baixo”, com a reforma de leis e intensificação de patrulhamento e fiscalização, com melhor treinamento e maior valorização das instituições de segurança, já que a impunidade é um fator que ainda colabora claramente com a violência. Outra forma seria tratar de “baixo para cima”, combatendo a desigualdade social com investimentos na educação e estabelecendo melhorias em todas as áreas sociais, para que os índices de criminalidade diminuíssem a partir do momento em que a juventude deixasse de perceber o crime como opção de vida.

O que acharam do tema de 2003? Bastante atual (infelizmente) e com muuuitas possibilidades de propostas de intervenção, não? Contem pra gente nos comentários se já trabalharam com ele ou se pretendem trabalhar para praticar para 2019 e até a próxima semana!

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