Possibilidades para a Redação do Enem 2000

Quem aí se lembra do medo do bug do milênio? Quem sequer estava vivo no ano 2000? Eu estava e posso garantir que o bug foi assunto antes da virada do ano em vários meios de comunicação. Já sobre o Enem, confesso que não ouvi falar muito por ainda estar um pouquinho longe da idade de prestar a prova. Não havia Twitter ou Facebook ainda, então a única forma de vermos os famosos atrasados (não quero nenhum leitor dessa coluna virando meme JAMAIS por causa disso, estamos entendidos?) era na TV! Vamos todos conhecer (ou relembrar) a proposta desse ano enigmático que foi 2000, então?

As instruções da proposta do ano em questão já estavam bem próximas das atuais, não? Hoje há mais detalhes, mas em relação às que já estavam incluídas em 2000, a única coisa que mudou foi a questão das linhas mínimas, que passaram de 15 para 7 (mas quem já está se dedicando à prática já sabe que 7 linhas não dão para nada, nem em 2000, nem hoje).

O tema era “Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional?“, o que mais uma vez nos remete a uma semelhança com o formato atual – um problema social que requer propostas para ser solucionado. Mais uma vez, lembremo-nos sempre de que o título não nos dá uma dimensão completa do que é esperado na produção, então é necessário conferir com atenção os textos motivadores. No caso da proposta em análise, vemos um trecho da Constituição mencionando que é dever da sociedade civil e do governo garantir condições dignas de vida em todos os aspectos para as crianças e para os adolescentes, sendo que a partir dos 18 anos o cidadão é considerado um adulto e não mais se enquadra nessa categoria.

Nos textos restantes, no entanto, vemos provas de que essas condições não estão sendo proporcionadas a todos. Uma charge denuncia a precariedade em que podem viver meninos em situação de rua, culminando inclusive na falta de estrutura familiar básica. Um dos textos seguintes traz até mesmo o depoimento de uma dessas crianças, comprovando que a charge é realista, assim como o texto seguinte, que menciona também as diferenças sociais envolvidas na equação.

A partir disso, podemos concluir e argumentar em nossa produção que as leis protegendo as crianças e os adolescentes não têm sido cem por cento efetivas na prática. Para isso, temos uma ferramenta que vai facilitar bastante o trabalho nessa redação em específico: o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) – leitura recomendadíssima, aliás. Esse documento contém todos os itens necessários para estarmos munidos de informação sobre quais são os direitos que não estão sendo cumpridos em relação a essa parcela da população. Com essas informações em mãos, podemos trazer índices e/ou exemplos de crianças e adolescentes em situação de rua para comprovar que a regulamentação não está sendo praticada em sua totalidade. Índices e exemplos esses que podem ser facilmente encontrados na mídia (revistas, jornais, TV, rádio e todas as suas versões online), através de fontes idôneas e confiáveis.

Depois de toda a argumentação, é hora de propor soluções. Como gostaria que vocês desenvolvessem o próprio raciocínio para a construção de redações e este é um tema relativamente vasto para que se proponham ações, vou deixá-los pensar no que poderia ser feito pelo Estado, pela escola, pela família e pela sociedade como um todo para que os direitos da parcela da população sob a cobertura do ECA sejam plenamente garantidos. Seria bem legal se pudessem inclusive falar sobre isso nos comentários, adoraríamos ler as propostas de vocês! Lembrem-se de que as propostas precisam ser sempre viáveis (possíveis de se colocar em prática) e respeitar os Direitos Humanos, ok?

Contem pra gente suas propostas para esse tema, se já usaram-no para praticar alguma vez e o que acharam dele nos comentários, por favor! Até a semana que vem com o primeiro tema do terceiro milênio, o do ano 2001!

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