Redação no Enem 2017: Cartilha do Participante

Nesta semana o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), juntamente com a Fundação Vunesp (empresa responsável pela realização do Enem 2017) lançou o documento intitulado “Cartilha do Participante” sobre a prova de redação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017. Assim sendo, na coluna sobre a redação no Enem de hoje abordaremos as novidades e os principais pontos trazidos pela Cartilha do Participante. Vamos lá?!

A primeira novidade digna de destaque é que, além do documento poder ser “baixado” da página do Ministério da Educação (MEC), há vários vídeos postados (26, ao todo) no YouTube que explicam do que se trata a Cartilha do Participante em Libras, a Língua Brasileiras de Sinais. Trata-se de uma iniciativa de inclusão que nunca antes havia sido feita e que merece os nossos parabéns.

A Cartilha do Participante está dividida em cinco partes: introdução, apresentação, competências, amostras de redações nota 1.000 do Enem 2016 e uma seção dedicada à leitura. A partir de agora, abordaremos os pontos mais relevantes de cada parte, começando pela introdução do documento.

Introdução

Na primeira parte da Cartilha do Participante, os autores relembram a consulta pública realizada no início deste ano e reafirmam que o Enem 2017 será aplicado em dois domingos e que a prova de redação será no primeiro dia do exame.

Matriz de Referência para Redação 2017

Nesta segunda seção, os autores detalham e explicam para uma das cinco competências avaliadas na correção da prova de redação do Enem. A seguir, os pontos relevantes de cada subseção desta parte.

Apresentação

Na apresentação da Cartilha do Participante propriamente dita, o documento explica que a prova de redação do Enem exigirá que o candidato escreva um texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política, como vem sendo desde a sua criação na década de 90 e, a cada ano que passa, mais enfatizado.

Além disso, a apresentação ressalta que os aspectos que serão avaliados na correção das dissertações-argumentativas relacionam-se às competências desenvolvidas durante o período escolar e que pelo menos dois professores (corretores) diferentes avaliarão as redações de maneira independente, ou seja, sem um saber a nota do outro.

Cada corretor dará de 0 a 200 pontos em cada uma das cinco competências e a soma destes pontos constituirá a nota final, que poderá chegar aos 1.000 pontos. A nota final do participante será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois corretores.

Caso haja discrepância, a redação será avaliada por um terceiro corretor, também às cegas, e as notas mais próximas serão usadas no cálculo da média final. Caso haja uma terceira discrepância, uma quarta e última banca avaliará o texto e esta decisão será a final.

A apresentação também cita que o candidato ao Enem 2017, na redação, deve obedecer às novas regras do atual Acordo Ortográfico e que tal cumprimento será avaliado na competência nº 1, a que avalia o domínio da norma culta da Língua Portuguesa.

A seguir, os autores explicitam os motivos que levam à anulação de uma redação no Enem e, em relação a isso, nada mudou. Os autores explicam o que são partes deliberadamente desconectadas do tema proposto e dedicam uma boa parte do documento para explicar o que é considerado desrespeito aos Direitos Humanos, um ponto inclusive alvo de críticas por pessoas que não são da área de educação.

Para as bancas elaboradora e corretora do Enem, desrespeitar os Direitos Humanos é defender que se faça justiça com as próprias mãos, que seja seguido o princípio do “olho por olho, dente por dente”, sem que haja a intervenção de órgãos competentes como os governos, autoridades, a legislação brasileira etc. O mesmo ocorre quando há incitação de discursos de ódio imbuídos de ideias preconceituosas de todas as formas (racismo, machismo, misoginia, xenofobia, intolerância religiosa, política dentre outras).

Neste contexto, um aspecto da correção ressaltado na Cartilha do Participante é que o respeito aos Direitos Humanos é avaliado em todo o texto, não apenas no trecho em que há a proposta de intervenção social. Caso haja desrespeito aos Direitos Humanos, a redação será anulada.

Para exemplificar o que seria desrespeitar os Direitos Humanos, há uma lista de ideias que anulariam uma redação por este motivo retiradas de dissertações-argumentativas do Enem 2016 sobre intolerância religiosa:

Perseguição e atos de violência contra seguidores de religiões e contra ateus;

  • Ataques a grupos religiosos;
  • Ataques e desmoralização de símbolos religiosos, de lugares como igrejas, terreiros, salões etc.;
  • Cerceamento de escolhas religiosas, pois fere a liberdade de escolha;
  • Violência contra os agressores de religiosos;
  • Sugerir que o Estado proíba as religiões em todo o país.

Matriz de Referência para a Redação 2017

Nesta terceira parte há uma explicação detalhada sobre o que é avaliado em cada uma das cinco competências que compõem a grade de correção da prova de redação do Enem 2017.

Em relação a isso nada mudou, mas é importante que os participantes do exame releiam o que será exigido em cada uma das competências, até porque há dicas fundamentais ao longo desta parte, como por exemplo, ler a proposta com atenção, não copiar trechos dos textos motivadores, refletir com senso crítico sobre o tema e não tangenciá-lo muito menos fugir dele. A este respeito, a Cartilha também traz ao seu leitor exemplos de tangenciamento e fuga do tema da proposta de redação do Enem 2016.

Amostras de Redação Nota 1.000 do Enem 2016

A Cartilha do Participante publica alguns textos que receberam a nota máxima na primeira edição do Enem 2016 juntamente com textos explicativos sobre as razões que levaram tais redações a obterem nota 1.000.

Neste sentido, ressaltamos a importância de vocês, candidatos, lerem e analisarem estes textos como fontes de motivação e inspiração, assim como deve ser a leitura e análise dos textos motivadores da proposta de redação do Enem 2017. Enfatizamos que não há fórmulas nem receitas para se chegar a um texto nota máxima.

Até a próxima semana!


*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada e mestranda em Letras/Português pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em importantes universidades públicas. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC).

**Camila é colunista semanal sobre redação do nosso portal. Seus textos são publicados todas as quintas!


 

Quer mais informações? Então assista ao vídeo que fizemos falando sobre o Cartilha do Participante Redação do Enem 2017

 

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