Possibilidades para a Redação do Enem 2004

A questão levantada pela proposta de redação do Enem 2004 pode não ser um tema muito recorrente em nossas discussões diárias como o meio ambiente e a violência no país, por exemplo, ambos tratados nas semanas anteriores, mas pode ser bastante controverso e perigoso quando não tratado com o devido cuidado: liberdade de imprensa e a ética no jornalismo.

Na proposta do ano em análise, temos cinco excertos, um número um pouquinho maior do que o habitual, no entanto, cada um deles é bastante direto e breve. A charge inicial é uma crítica direta à mídia (provavelmente televisionada, devido à posição do item na sala de estar, que lembra a de uma TV e que está inclusive ligado na tomada), atribuindo-a o adjetivo “lixo” de forma visual. O candidato pode concordar ou discordar com a charge e o adjetivo atribuído, mas é interessante refletir sobre os motivos que podem ter levado o autor a essa opinião. O segundo texto também traz críticas bastante pesadas à imprensa audiovisual, especialmente a jornalística sensacionalista, questionando a invasão em momentos que podem ser confusos e dolorosos para os envolvidos em crimes. Os textos três e quatro já não questionam ou criticam tão fortemente o jornalismo, mas incitam a reflexão sobre até que ponto ele pode chegar e o que ou quem seria responsável por fiscalizá-los. A última reflexão trazida pelo quinto texto motivador, no entanto, “junta” todas as feitas até agora em duas ideias que, numa observação mais superficial, podem parecer opostas. Trata-se da nossa Constituição, que ao mesmo tempo que garante liberdade completa de imprensa e de divulgação de ideias, também estabelece que a privacidade do indivíduo é inviolável. Este último excerto converge diretamente com a frase temática: “Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?“, a pergunta que deverá ser respondida pelo aluno ao longo de sua dissertação.

Aqui, a possibilidade de desenvolvimento, para ser eficiente, perpassa por muitos exemplos. Ao mesmo tempo em que há necessidade de trazer dados acerca de possíveis abusos da imprensa (notícias falsas, tendenciosidade, difusão de pautas sem checagem de fatos, invasão de privacidade etc.), deve-se mencionar e defender a liberdade total da mesma ao difundir notícias. Todos estes dados podem ser conseguidos com facilidade e abundância na própria imprensa (irônico, não?). O contraste com a época da ditadura, que requeria análise e aprovação prévia pelo governo apenas do que o mesmo considerava “pertinente”, pode ser uma boa estratégia para defender a autonomia atual do jornalismo (não se esqueçam nunca, no entanto, de fazer isso de forma detalhada e sem deixar a menção ao fato histórico voando isolado pelo texto, ok?).

Após estabelecer a possível contradição entre os dois objetivos, a proposta de intervenção pode ser um modo de encerrar a produção e desenvolver meios para que ambos os questionamentos sejam resolvidos, eliminando possíveis conflitos de interesse. Primeiramente, de maneira alguma deve-se sugerir censura, em qualquer forma. Isso, se feito hoje, conseguiria um belíssimo zero na quinta competência. Em anos anteriores, uma linda anulação da redação toda chegaria para esse tipo de sugestão. Então, amiguinhos, nem pensar, certo? A saída aqui é bolar alternativas que façam com que a imprensa se regule através da legalidade. Responsabilização por divulgação de informações falsas e invasão de privacidade através de processos por danos pode ser uma ótima opção de sugestão. Junto a ela, a criação de leis e/ou regulamentos mais atentos a esse tipo de prejuízo trazido pela imprensa podem encerrar o ciclo. Nada de censura, já que a imprensa pode continuar produzindo seus materiais sem nenhum tipo de “filtro” anterior à publicação, mas medidas que acabarão trazendo um tipo de auto regulação, já que ao prejudicar a privacidade de alguém ou trazer prejuízos sociais ao divulgar informações falsas, por exemplo, o veículo informativo também acabaria se prejudicando ao enfrentar processos e pagamentos de multas. Um último detalhe a ser lembrado, no entanto, é que tais leis e regulamentos que porventura venham a ser sugeridos pelo autor da dissertação não podem ser extremamente restritivos a ponto de proibir entrevistas, mas podem estabelecer que após a resposta negativa a um pedido ao vivo, não deverá haver insistência, por exemplo. Tudo para que se evite a censura preservando o direito à privacidade individual.

O que acharam do tema desta semana? Pessoalmente, achei o mais complexo de se pensar e resolver até o momento dentre os tópicos antigos. Será que teremos mais desafios como esse pela frente? Resta esperar pelas próximas semanas e, enquanto isso, ir compartilhando a opinião e as possíveis propostas de intervenção de vocês nos comentários! =D

Até a próxima semana!

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