Entrevista InfoEnem: Prof. Cleidson S. de Oliveira

Cleidson Santiago de Oliveira licenciou-se em Física pela Universidade Estadual Paulista (Unesp – Rio Claro) em 2001 . Atualmente é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Exatas (PPGECE) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na área de Ensino de Física. Atua como professor, tanto no Ensino Fundamental II quanto no Médio, preparando e orientado alunos para os mais concorridos vestibulares do país. Devido sua competência e experiência, que já soma mais de dez anos, assumiu agora em 2012 o cargo de coordenador pedagógico, cujas responsabilidades ultrapassam as quatro paredes da sala de aula.

Procurado por nós, mesmo muito compromissado, mostrou-se atencioso e prestativo. A equipe InfoEnem agradece imensamente ao professor pelo tempo despendido e pela bela entrevista que, com sua autorização, reproduzimos integralmente.

 

1- Qual sua opinião em relação formato que o Enem utiliza desde 2009, composto por 180 questões mais a redação, dividido em 4 áreas de conhecimento e realizado em dois dias de prova?

Prof. Cleidson: Com um número maior de questões no ENEM é possível avaliar um número maior de habilidades desenvolvidas pelos estudantes durante o Ensino Básico, além de possibilitar uma variação maior do grau de dificuldade das questões. Por outro lado, mesmo sendo realizada em dois dias, a prova continua sendo bastante cansativa para os examinados, exigindo deles muita disciplina, concentração e paciência para realizá-la satisfatoriamente dentro do tempo previsto.

2- Tendo em vista esse formato, você considera o exame, de uma maneira geral, uma criteriosa forma de seleção?

Prof. Cleidson: Entendo que sim, pois, conforme mencionei acima, com um número maior de questões se torna possível variar mais o grau de dificuldade das questões atribuindo notas diferentes conforme o nível da questão. Além disso, O ENEM adota um sistema de correção no qual o aluno acertando uma questão considerada difícil, mas errando outra considerada fácil e que exige o mesmo conhecimento, ele tem uma pontuação menor naquela (difícil) que acertou. Com isso é possível inibir os “chutes” e valorizar o conhecimento apropriado pelos estudantes durante sua formação básica.

3 – E como professor de física? Qual sua análise quanto à elaboração das questões dessa disciplina?

Prof. Cleidson: De forma geral, eu considero as questões bem elaboradas, já que há uma valorização maior dos aspectos conceituais da Física em detrimento ao excessivo formalismo matemático, tanto enfatizado nos tradicionais vestibulares. Além disso, as questões são contextualizadas, apresentando o formato de problemas práticos, bem diferentes daqueles exercícios que valorizam somente a memorização, a repetição e o cálculo pelo cálculo.

4 – Ainda pensando na sua área, quais as diferenças que considera relevantes entre o Enem e os vestibulares tradicionais?

Prof. Cleidson: Em minha opinião, a principal diferença reside no enfoque dessas avaliações. Enquanto os vestibulares tradicionais procuram avaliar o quanto os alunos memorizaram dos conteúdos estudados durante a educação básica, o ENEM exige que o aluno demonstre o domínio de competências e habilidades na solução de problemas, fazendo uso dos conhecimentos adquiridos tanto na escola quanto na sua experiência de vida.

5- O que pensa sobre o Sisu (Sistema de Seleção Unificada)?

Prof. Cleidson: Eu vejo o SISU com bons olhos. Uma das vantagens que esse sistema apresenta é a centralização dos processos seletivos, pois por meio de uma única prova o aluno concorre a uma vaga em diversas Universidades, reduzindo tempo e eliminando despesas com diversos vestibulares, o que favorece, principalmente, aqueles alunos com menor poder aquisitivo e aqueles que vivem em regiões mais distantes dos grandes centros. Outra vantagem consiste na ampliação da capacidade de recrutamento pelas Instituições Federais de Ensino Superior favorecendo, principalmente, aquelas localizadas em centros menores.

6- E sobre o ProUni?

Prof. Cleidson: Meu parecer sobre o ProUni também é positivo, pois ele está possibilitando que muitos jovens e adultos com menor poder aquisitivo cursem uma Universidade. Em geral, esses estudantes são oriundos de escolas públicas e, na maioria das vezes, não conseguem concorrer em condições de igualdade com aqueles estudantes provenientes de colégios particulares e de cursinhos preparatórios, principalmente naqueles cursos que apresentam elevado número de candidatos por vaga. Sem condições de pagar um curso superior eles acabavam encerrando seus estudos ao término do Ensino Médio. Com o ProUni, hoje, essas pessoas podem concretizar o sonho de fazer uma graduação, contudo isso dependerá fundamentalmente do desempenho delas no ENEM.

7- Qual sua opinião a respeito das falhas do Enem, em especial sobre o polêmico caso do vazamento de questões ocorrido nesta edição de 2011?

Prof. Cleidson: Acho lamentáveis as falhas que ocorreram nas últimas edições do ENEM, principalmente no caso do vazamento de questões. Acredito que isso tenha acontecido porque o INEP não estava plenamente preparado para as mudanças que foram propostas para o ENEM. No entanto, acredito que essas falhas podem ser corrigidas e outras podem ser evitadas desde que haja um investimento maior na segurança dessas provas (desde a produção até a distribuição delas) e uma considerável ampliação do banco de questões tornando-o compatível com a dimensão que essa avaliação possui atualmente.

8- Considerando a importância e a dimensão que o Enem atingiu, principalmente após a criação do Sisu, você acha possível que o exame conquiste a tão almejada credibilidade? Como?

Prof. Cleidson: Acredito que sim. A credibilidade no ENEM virá com o tempo, na medida em que falhas (de qualquer natureza) não forem mais observadas. Esse novo formato do ENEM está sendo aplicado há apenas três anos e já podemos notar alguns avanços como, por exemplo, os problemas observados na primeira e segunda edição (2009 e 2010, respectivamente) não foram registrados em 2011. O problema do vazamento de questões observado em 2011 aponta para a necessidade de se obter um banco de questões mais amplo. Se houver um investimento nesse sentido, possivelmente não veremos esse fato se repetir novamente.

9- Acredita que o Enem pode substituir em 100% os vestibulares tradicionais? Concorda com esta tendência?

Prof. Cleidson: Não sei, essa é uma questão bastante emblemática, pois envolve questões políticas. Naqueles estados em que têm governadores aliados ao Governo Federal, a chance disso acontecer é maior. Por outro lado, não sei se o Ministério da Educação tem essa pretensão, uma vez que ele concede às Universidades autonomia para elas optarem entre quatro possibilidades de utilização do novo exame como processo seletivo: i. como fase única, com o sistema de seleção unificada, informatizado e on-line; ii. como primeira fase; iii. combinado com o vestibular da instituição; ou, iv. como fase única para as vagas remanescentes do vestibular.

10 – Qual sua dica e/ou sugestão para os estudantes que estão se preparando para o próximo Enem?

Prof. Cleidson: Os alunos que pretendem fazer o ENEM devem buscar informações que lhes permitam ter clareza das exigências desse exame, ou seja, procurar entender as características dessa avaliação e as suas diferenças em relação aos vestibulares tradicionais. Conhecendo o que será exigido dos candidatos, o formato da prova e os critérios de avaliação, por exemplo, a preparação dos estudantes se torna mais fácil. Outro fator importante é não deixar para se preparar na última hora, isso normalmente não funciona.

 

 

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