Critérios Básicos de Correção de Uma Dissertação-Argumentativa

O vestibular da FUVEST está sendo corrigido e uma das grandes expectativas dos candidatos é acerca da nota da redação. Como tanto a FUVEST quanto o ENEM requerem uma dissertação-argumentativa, pensamos ser de bom proveito explicar os critérios de correção da proposta de redação do vestibular que seleciona os futuros alunos da Universidade de São Paulo (USP) a fim do candidato ao ENEM aproveitá-los em seus estudos.

No entanto, é pertinente ressaltar que os critérios da FUVEST e do ENEM, entre si, têm diferenças, mas o que vamos explicar no texto de hoje serve como base para qualquer dissertação-argumentativa, seja aquela escrita na escola ou mesmo uma pedida por outro vestibular.

Mecanismos de Correção

A redação merece uma correção especial, descrita a seguir. Logo que as provas chegam à FUVEST, procede-se a uma leitura eletrônica do texto preparado pelo candidato. Em seguida, são feitas duas cópias desse texto, sem identificar, pelo nome, o candidato, que são encaminhadas a dois corretores independentes. Eles deverão atribuir nota a essa redação, levando em conta três características: tipo de texto e abordagem de tema, estrutura e expressão.

O que o manual do candidato diz

A redação deverá ser, obrigatoriamente, uma dissertação, na qual se espera que o candidato demonstre capacidade de mobilizar conhecimentos e opiniões, argumentar coerentemente e expressar-se de modo claro, correto e adequado.

1. Tipo de texto e abordagem do tema

Verifica-se aqui se o texto do candidato configura-se como uma dissertação e se atende ao tema proposto. Pressupõe se, então, que o candidato demonstre a habilidade de compreender a proposta de redação e, quando esta contiver uma coletânea, que ele se revele capaz de ler e de relacionar adequadamente os trechos que a integram. A simples paráfrase da coletânea, da proposta e/ou das instruções não é, em princípio, um recurso recomendável para o desenvolvimento adequado do tema, assim como na proposta de redação do ENEM.

A elaboração de um texto que não seja dissertativo ou a fuga completa ao tema proposto farão com que a redação não seja objeto de avaliação em qualquer outro de seus aspectos, recebendo, portanto, nota zero em sua totalidade.

No que diz respeito ao desenvolvimento, verificar-se-á, além da efetiva progressão temática, também a capacidade crítico argumentativa que a redação revele.

2. Estrutura

Avaliam-se aqui, conjuntamente, os aspectos de coesão textual (nas frases, períodos e parágrafos) e de coerência das ideias. O grau de coerência reflete a capacidade do candidato para relacionar os argumentos e organizá-los de forma a deles extrair conclusões apropriadas e, também, sua habilidade para o planejamento e a construção significativa do texto.

Serão considerados aspectos negativos a cópia ou a simples transposição de elementos da proposta, bem como a presença de contradições entre frases ou parágrafos, a falta de encadeamento das ideias, a circularidade ou quebra da progressão argumentativa, a falta de conclusão ou a presença de conclusões que não decorram do que foi previamente exposto. Serão tidos também como fatos negativos referentes à coesão, entre outros, o estabelecimento de relações semânticas impróprias entre palavras e expressões, assim como o uso inadequado de conectivos.

3. Expressão

Avaliam-se nesse item o domínio do padrão culto escrito da língua e a clareza na expressão das ideias. Serão examinados aspectos gramaticais como ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação. Espera-se que o candidato revele competência para expor com precisão os argumentos selecionados para a defesa do ponto de vista adotado e, também, que demonstre capacidade de escolher e utilizar expressivamente o vocabulário, evitando o uso abusivo de clichês ou frases feitas.

 


*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada e mestranda em Letras/Português pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em importantes universidades públicas. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC).

 
**Camila é colunista semanal sobre redação do nosso portal. Seus textos são publicados todas as quintas!

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