Variação Linguística no ENEM

Todos os falantes de língua portuguesa conhecem o funcionamento do seu próprio idioma, não é preciso ir à escola para aprender a se comunicar. Entretanto, essa comunicação não é uniforme, ou seja, existem diversas variações em nosso idioma e nenhuma forma é considerada melhor que a outra.

Conhecer as variações linguísticas do seu próprio idioma permite que você seja capaz de se comunicar de maneira eficiente, uma vez que saberá adaptar a mensagem para as diversas situações de fala e desse modo compreender seu significado ou atingir o objetivo de comunicação. Além disso, compreender a variação do português também é importante para aprender a respeitar as diferentes formas de falar dos falantes de língua portuguesa e assim evitar preconceitos linguísticos.

Portanto, é muito importante saber que a norma culta padrão, adotada nas escolas, em documentos oficiais, trabalhos acadêmicos, na redação do ENEM e nas mais variadas situações formais, não é a única válida e nem “a melhor” forma de comunicar-se. Além de conhecer as regras da variante formal da língua, o aluno precisa dar conta também de todas as outras para atingir uma nota alta na prova de Linguagens.

A variação linguística é sem dúvida um tópico muito explorado na prova de Linguagens, pois exige alta habilidade do candidato para compreender os enunciados e dessa forma resolver as questões de forma assertiva. Os fatores responsáveis por essa variação na língua podem ser a idade, o grupo social, a região, se a pessoa está falando ou escrevendo, se está em um conversa entre amigos ou apresentando um seminário, enfim, há diversas situações combinadas que influenciam diretamente no ato de comunicação.

Para fins didáticos, a variação pode ser dividida em quatro tipos:

1- Variação sociocultural (diastrática)

São variações que, como o próprio nome indica, são influenciadas pelos aspectos sociais e culturais do falante. A forma de falar de uma pessoa que não tenha frequentado a escola é diferente de um cientista, ou ainda, a forma de um adolescente se expressar contrasta com a de um idoso, por exemplo. São situações sociais diferentes que atuam para que a língua seja operada de maneira distinta uma da outra. Veja o exemplo:

2- Variação situacional (diafásica)

A variação situacional é usada por um mesmo falante em situações distintas. Ou seja, em uma entrevista de emprego a linguagem é completamente diferente daquela usada em uma mensagem de texto para o amigo ou no grupo de whatsapp da família. É necessário adaptar a linguagem a cada situação de fala. Exemplo:

Fonte: Página “Filosofia Moderna” – Facebook.

3- Variação histórica (diacrônica)

Essa variação marca principalmente o caráter dinâmico da língua através do tempo. As mudanças são de palavras, grafia, estrutura das frases e em muitos casos até o próprio significado pode sofrer alteração. É muito provável que ao lermos um texto de 1910 escrito em língua portuguesa, o entendimento seja muito difícil e algumas vezes até impossível, pois as alterações do idioma de 1910 para hoje são muitas, para não falar em um texto mais antigo, de 1500, por exemplo, como a carta de Pero Vaz de Caminha. Exemplo:

4- Variação geográfica (diatópica)

São as variedades da língua que acontecem em regiões geográficas diferentes. É muito comum haver diferença na fala entre os moradores da cidade e os do campo, ou ainda, entre um habitante do estado de São Paulo, que usa a expressão “mano” e outro da Bahia, que fala “meu rei”.  

Cada estado tem um jeito de se expressar, os cariocas usam uma variação da língua, enquanto os mineiros usam outra, sem deixar, no entanto, de falar o português do Brasil. É interessante notar também que embora o Brasil e Portugal compartilhem o mesmo idioma, ele se apresenta de maneiras diferentes nessas duas regiões.  Exemplo: