Redações Nota Mil Versus “Fôrmas” Prontas

A dica de hoje vai ser mais rápida que as anteriores, já que está mais para uma bronca do que para uma dica…Mas não se preocupem, não deixa de ser uma bronca justa! Hehehehe

Mas antes de mais nada, todo mundo viu que saíram os espelhos das redações do Enem? Dá para acessá-los através da página do participante, usando seu CPF e senha. Junto com os espelhos, saíram as redações nota mil e, é claro, os fofos que ficaram com essa nota já tiveram as redações publicadas e estão dando entrevistas por aí!

O que será que essa galerinha da nota mil tem de diferente além da prática e do conhecimento acerca do que é exigido pelos corretores oficiais (nessa segunda parte estamos trabalhando juntos aqui na coluna semanalmente, certo? E como já mencionei algumas vezes, nosso curso de redação está disponível para que vocês possam praticar com todo o suporte!)? Uma coisa eu posso garantir: nenhum deles decorou uma redação pronta. Nem mesmo introduções prontas, conclusões prontas, nem nada do tipo. Vão lá, podem ler as redações publicadas com nota mil! Eu espero!

Leram? Viram como toda a argumentação é fluída, bem construída e como eles podem até ter pensado em argumentos similares, mas nenhuma redação é muito parecida com a outra? É a partir daí que vemos que as “fôrmas” não são o caminho para a glória máxima na redação do Enem. Mas ainda assim, muitas pessoas (e, pasmem, até instituições) insistem nesse modelo, trazendo uma construção mais ou menos pronta para o dia da prova oficial.

O que eu costumo chamar de “fôrmas” prontas são modelinhos de redação ou de partes de uma redação (introdução, conclusão, início dos argumentos no desenvolvimento) decorados pelos candidatos e encaixados em qualquer tema que possa aparecer. Não me refiro aqui aos conectivos entre um parágrafo e outro. Esses vocês podem inclusive reparar que são bastante parecidos (“portanto” é o campeão na conclusão) entre as redações campeãs da prova de 2018. Não há problema nenhum em termos alguns conectivos de preferência, sentir-nos mais seguros com eles e usarmos este espectro de recursos linguísticos com mais frequência. Também não são fôrmas prontas as organizações prévias que fazemos para desenvolver bem o formato exigido por cada tipo de texto com o qual nos deparamos (no caso do Enem, o dissertativo-argumentativo), inserindo qual parte do assunto (introdução com contextualização histórica, argumento pró, argumento contra e/ou conclusão com proposta de intervenção) em qual momento. As fôrmas são literalmente trechos ou frases que são transportados de uma redação-treino para outra, com o objetivo de serem decorados para serem usados em qualquer tema.

Meu trabalho hoje é convencê-los a não usarem esse tipo de recurso ao produzir as redações de vocês. Nem no Enem, nem em nenhum outro vestibular, nem na vida… Então aqui estão alguns dos motivos pelos quais decorar moldes de redação é uma péssima ideia:

  • o objetivo pelo qual sequer estamos na escola cai por terra: estamos ali de segunda a sexta por cinco horas todos os dias para adquirirmos conhecimentos que poderão ser utilizados ao longo da vida. A redação é um dos que mais frequentemente vão aparecer na nossa vida prática, fora da escola, e não apenas em vestibulares. Por isso, se não nos empenhássemos em desenvolvermos uma produção e uma interpretação independentes de texto, de que serviriam todos os anos de estudo? Não teremos moldes para responder com eficiência em entrevistas de emprego, para conversar com pessoas que nos interessam e nos mostrarmos interessantes, muito menos para fazermos apresentações no trabalho ou na faculdade. Por isso, decorar (o que quer que seja, na verdade) pode ser uma bela de uma armadilha!
  • é muito mais difícil encaixar todo e qualquer tema em moldes prontos, ou tentar encaixar as frases e trechos que já se têm decorados naquele tema de qualquer jeito do que desenvolver um raciocínio livre e entender melhor as exigências de cada tipo de texto para desenvolver produções de maneira mais exclusiva e com argumentação eficaz. Arrisco-me a dizer que podemos perder muito mais tempo com todos esses encaixes de maneira pelo menos satisfatória do que produzindo verdadeiramente uma redação.
  • GRANDES riscos de a argumentação ficar comprometida. Com trechos e frases decorados, as possibilidades desses serem genéricos demais para o tema são enormes! Sem falar nas chances de eles não terem muito a ver com a proposta de redação ou do encaixe não ser muito bem feito. Com isso, a nota (especialmente no quesito coesão e coerência) pode cair drasticamente.

Espero, com todos esses argumentos, ter conseguido convencer vocês a JAMAIS usarem moldes decorados de redação. Nem no Enem, nem em lugar nenhum! Contem para nós nos comentários se alguma vez já usaram esse tipo de molde, se já ouviram falar deles ou se ainda estão pensando em usá-los (peloamordeDeus que ninguém comente essa última, amém!). Até a semana que vem!

 


*Vanessa Christine Ramos Reck é graduada em Letras na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e fluente em mais três idiomas: Inglês, Espanhol e Francês. Além disso, é corretora do Curso Online do infoEnem. Seus artigos serão publicados todas as quintas, não perca.

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