Redação do Enem: Mantendo-se Atualizado

Você já deve ter se perguntado pelo menos duas coisas sobre a redação na prova do Enem:

  1. Quais são os possíveis temas?
  2. Como me manter atualizado sobre esses temas pra que eu possa trazer conteúdo relevante para a minha produção?

Vamos analisar juntos estes dois questionamentos pra chegar com muito mais clareza do que poderá vir pela frente na redação no dia da prova oficial!

De onde vêm os possíveis temas?

Pensando sobre todos os assuntos trazidos pela redação do Enem até hoje (violência contra a mulher e intolerância religiosa dentre os mais recentes, por exemplo), podemos perceber um padrão: tratam-se de problemáticas que afetam a sociedade e precisam de combate. Na proposta, inclusive, há a exigência de uma elaboração de intervenção. Sendo assim, não poderia surgir um tema sobre algo que não apresenta nenhum possível aspecto negativo, como “Comer frutas e verduras: o vício de nossas crianças nesses alimentos“. Talvez os agrotóxicos utilizados nas frutas, legumes e verduras que consumimos pudessem aparecer como questão a ser resolvida, mas não o consumo delas em si, que é completamente benéfico pra nossa saúde e não careceria de um combate. Deu pra acompanhar o raciocínio dos elaboradores até aqui?

O próximo detalhe a ser analisado é o fato de que as propostas sempre abarcam questões sociais brasileiras (se reparar, a maior parte delas encerra o título com “no Brasil”), com raras exceções, como no ano de 2018, mas que não deixou de tratar de um assunto presente na realidade nacional. Então, há a possibilidade de se tratar de um problema mundial, mas jamais algo completamente característico de outro país e que não tem impacto em nosso território. Não haverá temas perguntando sobre formas de como otimizar as aulas após períodos prolongados sem elas por conta de tempestades de neve, por exemplo, mas poderá haver temas que tratem da questão das condições de trabalho dos professores atualmente. Não veremos propostas sobre guerras civis por questões religiosas no país, mas podemos ver (assim como vimos em 2017) pedidos de elaboração sobre a intolerância religiosa, que é presente no Brasil de diversas formas.

Resumindo, as propostas sempre se limitarão a questões sociais problemáticas (para um grupo ou para toda a população) que existem ou pelo menos têm reflexos no território brasileiro. A partir daí, nos resta tentar afunilar ainda mais essas possibilidades todas de temas, porque até agora, se a gente for fazer uma busca no Google, vamos acabar com alguns milhares (se não milhões) de resultados!

No que devo ficar de olho?

Como já analisamos e chegamos à conclusão de que os temas da prova muito provavelmente vêm de questões em pauta no território nacional, podemos chegar a mais uma conclusão e refinar nossa busca: o período em que as pautas estão/estiveram mais em evidência pra que sejam consideradas para a prova.

O Enem sempre acontece no final do ano (outubro/novembro), mas as provas, claro, são preparadas com antecedência. Então, podemos calcular que elas estejam prontas uns três meses antes (já viu aquelas notícias, normalmente falsas, de que a prova vazou? Elas surgem bem antes da realização da prova, né? Aí está nossa primeira comprovação!). A partir daí, podemos imaginar que a prova não é elaborada em um tempo curto, certo? São necessários testes, análises de viabilidade e muito pensar em cima de um processo seletivo tão importante e abrangente. Por isso, vamos usar uma margem grande de segurança? Supondo que a prova esteja pronta até dois meses antes de ser aplicada, isso quer dizer que as notícias que ficarem em pauta predominantemente durante aqueles dois meses não têm grandes chances de serem consideradas, já que a prova já terá sido elaborada. No entanto, algo discutido nesse período pode muito bem ser analisado para tema do ano seguinte, não? Sendo assim, acho que podemos estabelecer que as pautas mais “consideráveis” vão estar concentradas neste período entre o término da elaboração da prova do ano anterior até o término da elaboração do ano seguinte.

Eu, modéstia a parte, cravei o assunto de 2016 (e tenho prints pra provar!), a intolerância religiosa, já que a guerra na Síria e os conflitos entre Israel e Palestina estavam bastante intensos, o que inclusive enviou refugiados ao nosso país. O assunto também é importante aqui, apesar de (pelo menos!) não gerar guerras. Em 2018 também tinha uma ideia de que o tema se resumiria à internet (ok, dei migué chutando algo tão abrangente assim, mas ACERTEI MESMO ASSIM, OK? Hehehehe), já que as eleições tiveram grande parte de suas ideias e debate propagados através delas, incluindo polêmicas como as fake news.

Ficando por dentro dos assuntos

Agora que já sabemos de onde saem os temas (e que eles estão mais acessíveis do que imaginávamos), podemos nos concentrar em nos mantermos atualizados sobre um espectro bem mais tranquilo de lidar! Não precisamos saber absolutamente tudo sobre tudo. Você muito provavelmente inclusive já se mantém informado de boa parte dos possíveis temas da próxima redação. Eles estão todos os dias nos jornais televisionados, impressos, online e no rádio. É só continuar prestando atenção nestes meios de comunicação e ficar por dentro mesmo que superficialmente, com um entendimento básico de cada questão tratada, para ir tranquilo para redação no final do ano!

Atenção com alguns pontos, no entanto: nada de se informar por WhatsApp ou links no Facebook! As notícias propagadas por esses meios dificilmente têm alguma comprovação, por isso não serão úteis pra que você se mantenha informado. Os links de sites externos ao Facebook podem até ser considerados, desde que sejam de fontes confiáveis. Os sites de grandes mídias dificilmente propagam notícias falsas, mesmo que haja alguma tendenciosidade (o que há em todos os meios e pessoas, inclusive em mim e em você: nada é neutro). O que resta para tentar minimizar o julgamento de um meio específico (apenas do G1, por exemplo) é consultar várias fontes (idôneas, sempre!) e refletir para chegar à própria conclusão. Mas isso não quer dizer desenvolver uma opinião própria e distorcer os fatos até que eles se encaixem nela, refutando até opiniões profissionais (que, aliás, são outra ótima fonte de conhecimento externo para a prova) para isso, por exemplo. Fatos são fatos, então tente sempre buscá-los e desenvolver sua reflexão/argumentação/opinião a partir deles, ok?

Contem pra gente nos comentários como vocês se mantêm informados para as questões do Enem, para a redação e para a vida! Até semana que vem!

(agradecimentos à professora Camila Dalla Pozza pela apostila INCRÍVEL que me ajudou a elaborar grande parte deste artigo e que está disponível como parte do nosso curso de redação! #momentojabá)

 


*Vanessa Christine Ramos Reck é graduada em Letras na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e fluente em mais três idiomas: Inglês, Espanhol e Francês. Além disso, é corretora do Curso Online do infoEnem. Seus artigos serão publicados todas as quintas, não perca.

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