Redação do Enem: Dai a César o Que É de César

“Dai a César o que é de César” é uma sentença que pertence a uma passagem bíblica do evangelho de Mateus, mais especificamente no seu capítulo vinte e dois e faz referência a Judeia, atualmente Israel, antiga província romana. Jesus Cristo, nessa passagem, teria sido abordado por alguns fariseus que o questionaram se ele incentivava os judeus a não pagarem os impostos devidos aos romanos. A resposta dada a tal questionamento foi: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, referindo-se ao imperador romano César. Ou seja, Jesus afirma que não devemos misturar questões políticas e econômicas com questões religiosas.

Na tradição oral da Língua Portuguesa, tal sentença se tornou provérbio, ditado popular e significa dê ao outro o que ele merece, ou ainda, cada um possui uma determinada competência e responde por ela.

“Mas o que isso tem a ver com a redação do Enem?”, vocês devem estar se perguntando. Quando se trata da proposta de intervenção social, isto é, da quinta competência avaliada pela banca corretora, tem tudo a ver. Nesta parte da dissertação-argumentativa que, normalmente, também é a conclusão do texto, devemos elaborar uma proposta de intervenção social para o tema abordado na proposta de redação e, muitas vezes, tal sugestão de solução é construída em torno de palpites sobre o que órgãos do governo, instituições ou pessoas deveriam fazer.

Neste contexto, alguns candidatos se perdem ou não sabem, realmente, quem ou o que é competente por determinada coisa ou questão e então saber o que é de César e dar a ele o que lhe compete é fundamental, essencial e de extrema importância.

Por exemplo, os candidatos ao Enem devem saber e ter consciência sobre os deveres e obrigações de cada poder do governo – executivo, legislativo e judiciário – , além de ter noção sobre o que cabe aos municípios, aos estados e ao governo federal.

Nesta crise econômica e política pela qual o Brasil passa, é comum ouvirmos pessoas reclamando de questões, relacionando-as ao goveno federal, por exemplo, quando a competência é do governo estadual. Em relação à cobrança de impostos há uma certa confusão sobre quem cobra o que e quanto cobra, já que há impostos municipais, estaduais e federais.

Por isso o título do texto de hoje é “Dai a César o que é de César”. Cobre ações corretas dos órgãos e das instituições corretas. Não devemos nem podemos cobrar do Ministério da Saúde algo que compete ao Ministério da Educação, por exemplo, como repasses de verbas.

Não devemos nos esquecer que a coerência externa é uma habilidade avaliada na prova de redação do Enem, principalmente na elaboração da proposta de redação, já que esta tem de ser o mais palpável, detalhando e verossímil possível.

 


*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada e mestranda em Letras/Português pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente trabalha na área da Educação exercendo funções relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação em importantes universidades públicas. Além disso, também participou de avaliações e produções de vários materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação (MEC).
**Camila é colunista semanal sobre redação do nosso portal. Seus textos são publicados todas as quintas!

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