Pronomes, verbos, ortografia – alguns deslizes frequentes

Hoje é dia de Enem. Dia de pôr em prática seus conhecimentos, sua tranquilidade, seu preparo. Embora este texto vá chegar aos leitores após a prova, espero que as publicações anteriores tenham sido úteis no sentido de esclarecer pontos obscuros e dirimir dúvidas gramaticais.

Mas a maioria dos estudantes não se limita a esse exame, então vamos a mais alguns casos que costumam causar dúvidas.

Nos concursos e vestibulares é comum encontrarmos questões pedindo que o candidato assinale a alternativa que está de acordo com a norma culta, ou o inverso: aquela que apresenta um desvio da norma.

Embora a língua falada, em situações informais, admita alguma ‘flexibilização’ das regras da Gramática, é preciso conhecer o padrão culto, pois ele será cobrado nas situações de maior formalidade, tanto na versão falada, quanto escrita. Por isso, listamos a seguir alguns desvios frequentes, para que, conhecendo-os, os leitores possam evitá-los.

  • Para “mim” estudar

Apenas os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles) podem funcionar como sujeito, portanto diremos (e escreveremos) que o livro é para eu ler, que há um relatório para eu fazer;

  • Entre eu e tu

Já os pronomes pessoais do caso oblíquo tônicos (mim, comigo, ti, contigo etc) devem ser empregados após preposições. Por mais estranho que possa soar, deveremos dizer, por exemplo, que não há problemas entre mim e ti, nem entre ti e ele, pois, para mim, o diálogo é o melhor caminho. Mas cuidado com a situação do tópico anterior: mesmo que a preposição peça pronome oblíquo tônico, se o tal pronome funcionar como sujeito do verbo seguinte, prevalece a regra anterior;

  • Conhecer “ele”

Olha o emprego de pronomes aqui novamente. Agora é a vez dos pronomes oblíquos átonos – são eles que devem ser empregados como complementos dos verbos (objeto direto ou objeto indireto) ou ainda como complemento nominal. Dessa forma, embora na linguagem falada informal seja frequente o ‘conheço ele’, obedecendo à norma culta, a construção ficará “conheço-o”.

Precisamos lembrar também que, se os pronomes oblíquos o(s) e a(s) forem empregados após verbos terminados em ‘r’, ‘s’ ou ‘z’, essas letras serão suprimidas no verbo e o pronome ganhará um ‘l’ inicial: conhecer o livro > conhecê-lo; fazer a tarefa > fazê-la.

E se o verbo terminar em som nasal (‘m’, ‘ão’ ou ‘õe’) não há queda de letra, mas aparecerá um ‘n’ no início do pronome: conhecem o livro > conhecem-no, dão a explicação > dão-na.

E falando em letras, além das que somem ou que aparecem, precisamos de atenção também nos seguintes casos de ortografia:

  • São sempre separados: “de repente”, “a partir”, “por isso” “o que”, “embaixo”, “abaixo”, “acima”;
  • Após ditongo ou após a sílaba “me-” ou “en-” é sempre X: frouxo, feixe, faixa, baixo, queixo, México, mexer, mexerica, enxame, enxada, enxergar, enxugar, enxuto, enxoval;
  • As formas dos verbos querer e pôr são grafadas com ‘s’: quis, quiser, quiseram, pus, puser, puseram
  • Se a palavra primitiva apresentar ‘s’ no radical, o verbo derivado será grafado com ‘s’: análise > analisar; catálise > catalisar; liso > alisar; aviso > avisar; pesquisa > pesquisar;
  • Mas, se o termo primitivo não tiver ‘s’, o verbo derivado será escrito com ‘z’: canal > canalizar; símbolo > simbolizar; social > socializar

Essas recomendações não dão conta de todas as dificuldades, mas espero que já eliminem algumas. Lembre-se sempre de que, embora haja regras para justificar a ortografia, a melhor maneira de saber como se escrevem as palavras é, sem dúvida, por meio da leitura. Leitura atenta, com consultas ao dicionário sempre que necessário vai fazer com que o ‘formato’ dos vocábulos seja memorizado e o leitor seja capaz de reconhecer a forma correta ou estranhar a forma inadequada.

Até a próxima semana!

 


Margarida Moraes é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), instituição na qual também concluiu seu mestrado. Com mais de 20 anos de experiência e responsável pela resolução das Apostila de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do infoEnem, a professora também é colunista de gramática do nosso Portal e umas das corretoras do curso de redação online (clique aqui para saber mais). Seus artigos são publicados semanalmente, sempre aos domingos. Não perca!

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