Possibilidades para a Redação do Enem 2009

O tema da prova do Enem 2009, assim como a maior parte dos já tratados em nossa coluna, se mantém atual, infelizmente. A discussão, além de manter-se válida (e permanecer válida, mesmo nos contextos mais íntegros), ainda é necessária na configuração social brasileira atual:

Ao estabelecer “O Indivíduo Frente à Ética Nacional” como frase temática, a proposta em questão remete a uma reflexão acerca de uma das maiores (se não a maior) mazelas que impedem o crescimento e a organização do país: a corrupção. Os textos motivadores não se distanciam nem um pouco desta ideia. Tanto a figura de Millôr Fernandes quanto os dois textos em seguida retomam conceitos de honestidade e integridade.

Quanto ao desenvolvimento, o aluno pode ficar em dúvida. Deve-se tratar da corrupção política? Da corrupção diária, praticada por boa parte dos brasileiros? A melhor alternativa seria tratar de ambas em sua produção. Os “desvios” em honestidade e integridade que boa parte de nós normaliza e em alguns momentos até se acha no direito de praticar acabam sendo normalizados em proporções cada vez maiores, até o momento em que políticos corruptos, que são os maiores representantes do caráter de seus eleitores (sim, você está escolhendo quem representa melhor suas ideias e o modo como quer que as coisas no país sejam administradas ao inserir os números na urna) são tidos como “comuns” ao invés de exceção, sendo que são um dos maiores reflexos de seu povo. A partir disso, é possível fazer tal ligação ao longo da redação e estabelecer porque as “pequenas” corrupções estão tão ligadas às “grandes”. Tendo na frase temática o indivíduo frente a ética nacional, analisar a “colaboração” de cada cidadão e de cada governante na falta de integridade e honestidade em nosso país pode ser uma boa saída para o seu texto.

As informações validadas pelas áreas do conhecimento, por sua vez, não devem ser nada difíceis de buscar para esse tema, já que diariamente há veiculação de notícias sobre corrupção na política e investigação dos representantes da nação. Lembremos, porém, que não é apenas a eles que devemos menção e, na verdade, devem ficar em segundo plano. Para tratar das práticas corruptas do dia a dia, além dos exemplos presenciais que muitos de nós testemunhamos com frequência, há também a possibilidade de buscar aquelas notícias sobre atos de extrema honestidade e integridade, como a devolução de grandes montantes de dinheiro encontrados perdidos, que deveriam ser completamente normalizados e, no entanto, são considerados bastante extraordinários atualmente em nosso país. A exemplificação de leis que foram tornadas mais rígidas e só então conseguiram diminuir algum índice maléfico (Lei Seca, por exemplo), mesmo em contextos de segurança para o próprio indivíduo também pode ser útil para demonstrar que burlar normas é algo corriqueiro, a menos que alguma medida punitiva extrema seja tomada (como prisão e/ou multa). Questionar o porquê do brasileiro precisar de medidas punitivas tão pesadas para que siga regras para a própria segurança (e não esquecer de responder ao questionamento com suas teorias, claro) pode ser uma ótima adição ao texto.

Por fim, as propostas de intervenção podem abranger um espectro bastante amplo. Contudo, convido todos a refletirmos: se o cidadão brasileiro atual tem tanta “dificuldade” em seguir normas que são benéficas para a sua própria segurança e convivência harmônica em sociedade, inserir mais leis não se tornaria redundante e pouco efetivo? Ou será que elas poderiam ser interessantes, aliando-as à educação do indivíduo em todos os âmbitos (escolar, social, midiático)? Medidas mais voltadas a uma transformação no pensamento da população e que demonstrem a importância das regras para a convivência e organização social para todos, não só para que se colete multas, poderiam ser mais efetivas do que uma rigidez e punição maiores em ditas regras?

Contem para nós o que pensam nos comentários e quais acham que poderiam ser as melhores medidas neste caso. Afinal, até mesmo fora do contexto de prova podemos refletir sobre este tópico e colocá-lo em prática diariamente, certo?

Até a semana que vem!

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