Estudando Ambiguidade: Afinal, de Quem É o Carro?

Maria avisa a Antônio: “Eu e José vamos à festa no seu carro.” E está feita a confusão!!! De quem é o carro, afinal?

A frase de Maria sofre de um problema frequente: ambiguidade. De acordo com Caldas Aulete, ambiguidade é:

  1. Característica do que é ambíguo, do que apresenta vários sentidos
  2. Falta de clareza
  3. Dúvida entre duas ou mais possibilidades; INCERTEZA; HESITAÇÃO [+ de, em: ambiguidade nos sentimentos.]
    [F.: Do lat. ambiguitas, atis.]

Ambiguidade estrutural

  1. Ling. A que resulta em mais de uma interpretação de significado para um agrupamento de palavras, como em “Leu para o filho muitos poemas e lendas da Grécia” [‘da Grécia’ refere-se só às lendas ou também aos poemas?]

Ou seja, haverá ambiguidade quando o texto possibilitar mais de um sentido. Esse mecanismo pode ser empregado de modo criativo, para criar um efeito de humor, como ocorre nesta tira de Dik Brown, com a personagem Hagar, o horrível, e seu companheiro Eddie, o sortudo – um viking um tanto ‘curto’ de intelecto:

Na tira, a ambiguidade foi criada a partir da parte da frase que ficou implícita. Não colocando o complemento da frase (“Aposto que você não pode… chutar a SUA!”), abriu-se a possibilidade para Hagar interpretar como o fez, dando ao Eddie a certeza de que não se havia expressado claramente.

O discurso publicitário também é fértil em exemplos de uso criativo para a divulgação de produtos, como ocorre na propaganda do dicionário Aurélio, que foi base para uma questão do vestibular da Unicamp:

Há, porém, que se tomar cuidado, pois a ambiguidade passa a ser defeito, se a intenção é criar textos com linguagem objetiva, como é o caso do gênero jornalístico, dos textos científicos e didáticos e, fundamental para todo estudante, dos textos dissertativos.

Por isso, é importante redobrar a atenção, quando se constrói estruturas muito enxutas, por exemplo, empregando formas de particípio ou de gerúndio. O jornalista do Portal UOL caiu nessa armadilha:

In www.uol.com.br. Acesso em 14-09-2013.

Quem foi atacado com ácido: o diretor ou a companhia de balé? Sim, sem dúvida que o mais provável é que tenha sido o diretor, até porque há uma foto do mesmo abaixo da notícia, mas do ponto de vista linguístico a frase permite as duas interpretações, portanto está defeituosa, não apresenta a clareza necessária para uma notícia.

Esse mesmo problema pode ocorrer quando, distraidamente, redigimos uma oração reduzida de gerúndio:

Entrando em casa, o policial prendeu o bandido.

Quem fazia a ação de entrar? O policial entrou e, nesse momento, prendeu o meliante que já estava lá dentro? Ou o policial fez a abordagem quando o ladrão entrava na casa? As duas interpretações são possíveis e as duas situações também! Não há mesmo como ter certeza!

O que fazer para evitar isso? A solução é simples: reler! Revisar os textos não faz mal a ninguém. Devemos também desenvolver alguns hábitos de “defesa”. Um deles pode ser, por exemplo, o “alarme automático” em caso de uso de gerúndio, de particípio, do relativo “que”, do possessivo “seu”…

Até a próxima semana!

 


Margarida Moraes, colunista de gramática do Portal infoEnem, é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Com mais de 20 anos de experiência e corretora do nosso Curso de Redação Online (CLIQUE AQUI para saber mais e participar do curso!), a professora também é responsável pela resolução das apostila de Linguagens e Códigos do infoEnem. Seus textos são publicados todos os domingos. Não perca!

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Comentários

Mariana Nalesso

muito boa essas dicas parabéns

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