Entenda o Uso dos Porquês

O que a Cartola e Kid Abelha têm em comum? O emprego do advérbio interrogativo nos versos de suas músicas. Observemos os trechos a seguir:

“Meu coração não sei por que
Bate feliz Quando te vê…
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo…
Mas mesmo assim, foges de mim (…)
(https://www.vagalume.com.br/pixinguinha/carinhoso.html )

“(…) Eu encomendo o jantar só pra nós dois
Se não tem nada pra depois, então por que não eu?
Você tá nessa, rejeitada, caçando paixão
Eu com a cara mais lavada digo, por que não?
Por que não eu? (…)”
(https://www.letras.mus.br/kid-abelha/46819/ )

O emprego dos “porquês” sempre gera dúvidas e insegurança, mas vamos por partes, observando e compreendendo cada situação.

Nos dois exemplos acima, encontramos o advérbio interrogativo. Será empregado “por que”, separado, quando estiver sendo usado nas interrogações diretas ou indiretas. Opa… interrogação indireta? Sim! É uma pergunta “disfarçada de frase declarativa. A frase se encerra com ponto final, mas o verbo ou locução verbal nela presente deixa implícita uma pergunta, ou seja, ao ouvir a frase, mesmo com ponto final, temos o impulso de responder. Imagine a cena: a mãe entra no quarto e fala:

“Eu queria saber por que você ainda não arrumou o quarto.”

Certamente o filho (coloque-se no lugar dele) vai responder:

“Ainda não deu tempo, eu estava estudando!”

É o caso da canção “Carinhoso”: “Meu coração, não sei por que”… mas eu gostaria de saber! Essa é a tal interrogação indireta. A interrogação direta é mais facilmente identificada, uma vez que tem a pontuação característica, é encerrada com o ponto de interrogação.

No caso da segunda música também temos um advérbio interrogativo, mas no final da frase a entonação fica mais forte, então vai receber um acento circunflexo.

A dica prática é tentar encaixar a palavra “razão” depois do ‘por que’. Se fizer sentido, empregaremos o ‘por que’ separado. Observemos:

“Por que (razão) você não arrumou o quarto?”

“Eu queria saber por que (razão) você não arrumou o quarto?”

“Você não arrumou o quarto por quê (razão)?”

Já o ‘porque’, junto e sem acento, é uma conjunção, que pode ser coordenativa explicativa ou subordinativa causal (ver texto da semana passada). Em ambos os casos, podemos ter certeza de que é o ‘porque’, quando pudermos substituir pela conjunção ‘pois’. Vejamos:

“Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer (…)”
(https://www.letras.mus.br/tom-jobim/49028/ )

Esse ‘porque’ pode, sem prejuízo de sentido, ser trocado pelo ‘pois’: “pois eu não posso mais sofrer”.

E por último, temos o ‘porquê’, junto e com acento. Nesse caso temos o termo funcionando como substantivo, sinônimo de ‘motivo’:

“Eu entendo os seus porquês (seus motivos), embora não concorde com eles.”

Para mais informações sobre o uso dos porquês, o infoEnem tem um vídeo sobre o assunto. Confira:

Até a próxima semana!


Margarida Moraes é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), onde também concluiu seu mestrado. Com mais de 20 anos de experiência e responsável pela resolução das apostila de Linguagens e Códigos do infoenem, a professora também é colunista de gramática do portal infoEnem e umas das corretoras do nosso curso de redação (clique aqui para saber mais) . Seus artigos são publicados todos os domingos. Não perca!

Compartilhar
Manual do Sisu e Prouni

Receba GRATUITAMENTE o Manual para Sisu e ProUni




Sim Não




Outros artigos que você vai gostar:




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *