É proibido entrada? – Um caso estranho de concordância

Todos concordamos com o fato de que devemos obedecer às regras da chamada norma culta nas situações formais de comunicação, não é? Mas… e quando a própria concordância parece não concordar? O que fazer?

Nesse caso, é aconselhável dar uma olhadinha no capítulo da Gramática dedicado aos Casos Especiais de Concordância.

A Concordância pode ser feita entre um núcleo substantivo e palavras que caracterizam esse núcleo, como artigo, adjetivo, pronome e numeral. É a chamada Concordância Nominal. Ou pode ser estabelecida entre o verbo e seu sujeito e então teremos a Concordância Verbal.

Isso é o que diz a regra geral de concordância, porém, no caso da frase título do artigo de hoje, temos uma situação sui generis, que segue um padrão próprio. Observemos as placas abaixo:

figura1

Temos apenas a placa da direita de acordo com a norma culta. O substantivo entrada é feminino portanto o adjetivo também precisa estar no mesmo gênero – proibida. Não há verbos nas placas, são expressões nominais, regidas pelas regras de Concordância Nominal. A ideia de proibição apareceu em primeiro lugar apenas para ter um destaque, mas o texto poderia estar na ordem direta: “Entrada proibida”.

Vejamos agora a próxima placa:

figura2

 

O redator do texto dessa placa conseguiu a façanha de acertar e errar, tudo junto e misturado…

Diferentemente das placas anteriores, agora o caso é de concordância verbal. E é um caso especial!

As expressões é bom, é preciso, é necessário, é proibido são geralmente empregadas em construções iniciadas por elas (para destacar essas características) e seguidas pelo sujeito. E é esse sujeito que definirá como deverá ser feita a concordância! Como assim? Assim:

  • Se o sujeito for considerado em sua generalidade, sem qualquer determinante, o verbo ser – ou outro verbo de ligação – ficará no singular, e o predicativo do sujeito ficará no masculino singular:
    Água é bom para hidratar o corpo. (água – sujeito, qualquer água, água de modo geral; bom – predicativo do sujeito)
    Maçã é bom para a saúde. (maçã – sujeito, qualquer maçã; bom – predicativo do sujeito)
  • Se o sujeito estiver determinado por artigo ou pronome demonstrativo a concordância segue a regra geral:
    Esta água é tratada. (água – sujeito, esta água específica; tratada – predicativo do sujeito)
    A maçã é boa para a saúde. (maçã – sujeito, determinado pelo artigo definido ‘a’; boa – predicativo do sujeito)

Considerando essa regra especial, o redator do cartaz errou no início do texto da placa, onde se lê: “É proibido a venda…”, mas acertou nas últimas linhas da placa, onde escreveu: “É proibida a venda…”.

É isso! Até a próxima!

 


Margarida Moraes é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Mais de 20 anos de experiência, corretora do nosso sistema de correção de redação e responsável pela resolução das apostila de Linguagens e Códigos do infoEnem, a professora é colunista de gramática do nosso portal . Seus textos são publicados todos os domingos. Não perca!

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