Compreendendo o Uso das Vírgulas – Dois Casos

Olá!

Vamos discutir brevemente duas situações envolvendo o emprego de vírgulas. Dentre os sinais de pontuação, a vírgula é, talvez, o mais versátil, uma vez que pode aparecer com diferentes funções dentro das frases.

Se você não quiser, ou não conseguir, ‘decorar’ todos os casos, ao menos tente lembrar-se desta dica simples:

  • 1 vírgula – separa elementos;
  • 2 vírgulas – isolam elementos

Na primeira situação podemos ter a separação de itens de uma sequência, do vocativo ou de um adjunto adnominal deslocado para o início da frase ou ainda indicando a elipse (supressão) de um termo, como se verifica a seguir:

  1. Maria, José, Pedro e Antônio são irmãos. (Maria, José, Pedro e Antônio formam um sujeito composto de 4 núcleos e as vírgulas separam cada núcleo)
  2. No bolo eu utilizei farinha de trigo, açúcar refinado, ovos frescos e fermento em pó. (Agora temos farinha de trigo, açúcar refinado, ovos frescos e fermento em pó funcionando como objetos diretos do verbo utilizar)
  3. Os alunos entraram na sala, ocuparam seus lugares, abriram os livros e começaram a leitura. (Aqui os elementos são mais complexos: cada uma das orações é um item, separado do seguinte por meio da vírgula, lembrando que cada verbo com sentido próprio é o ponto central de uma oração. Assim, se há 4 verbos, consequentemente há na frase 4 orações.)
  4. Meninos, eu vi!” (verso de I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias) (Meninos funciona como vocativo – não é sujeito, o sujeito é o pronome ‘eu’! – e tal termo sempre fica isolado dentro dos enunciados)
  5. Na semana passada, a empresa anunciou novas contratações. (Na semana passada funciona como circunstância de tempo, exercendo a função de adjunto adverbial de tempo e seu lugar, na ordem direta, é no final da frase)
  6. Eu gosto de Chico Buarque e meu irmão, de Caetano. (meu irmão gosta de Caetano – não precisamos repetir o verbo, mas precisamos marcar a elipse com a vírgula: ela fica no lugar do verbo)

Os elementos de uma sequência, os quais ficarão separados por vírgulas, podem ser simples vocábulos (exemplo a), sintagmas nominais (estruturas com mais de uma palavra, que apresentam um significado, mas não têm verbo – o núcleo é um substantivo) (exemplo b) ou orações (exemplo c).

Na segunda situação (um par de vírgulas) podemos ter uma informação deslocada de seu lugar na ordem direta da frase (exemplo 1), uma informação complementar (uma explicação ou esclarecimento não essencial para o sentido da frase – exemplos 2 e 3) ou ainda um termo que não faz parte da mensagem, como o vocativo (exemplo 4). Em qualquer um desses casos, o termo que está entre as vírgulas pode ser retirado da frase ou ser transferido para outro lugar do enunciado, sem alteração no sentido da mensagem. Observe os exemplos:

  1. Posso conseguir, se eu obtiver uma boa nota no Enem, uma vaga na carreira dos meus sonhos. (oração adverbial intercalada na oração principal, fora da ordem direta portanto)
  2. Machado de Assis, autor de “Dom Casmurro”, foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. (A expressão autor de “Dom Casmurro” funciona como aposto, acrescentando uma informação relativa ao termo anterior, não essencial à frase – sua retirada não altera o sentido)
  3. Os ornitorrincos, que podem ser encontrados na Oceania, são mamíferos. (é uma oração adjetiva explicativa)
  4. “O Brasil, senhores, sois vós” (Rui Barbosa, em discurso aos formandos de Direito)

Nos casos 1 e 4 as expressões em destaque podem mudar de lugar sem alteração de sentido e em todas as frases (de 1 a 4) podemos simplesmente retirar os trechos entre vírgulas e o significado do enunciado permanecerá inalterado.

Essas situações não dão conta de todos os empregos da vírgula, mas já ajudam a perceber se é preciso usar o sinal de pontuação de modo unitário ou aos pares.

Até a próxima!

 


Margarida Moraes é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Mais de 20 anos de experiência, corretora do nosso sistema de correção de redação e responsável pela resolução das apostila de Linguagens e Códigos do infoEnem, a professora é colunista de gramática do nosso portal . Seus textos são publicados todos os domingos. Não perca!

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