Como não tirar zero na redação do Enem

Estamos, há dez semanas, escrevendo textos que auxiliem e orientem os candidatos ao ENEM a tirarem boas notas na prova de redação tendo em mente que esta parte equivale à metade da nota de todo o exame e, assim sendo, fundamental para o ingresso à universidade desejada através dos programas do governo federal e das instituições que usam o ENEM como seleção de suas vagas; tendo em vista que, tirando textos que abordam, exclusivamente, a grade de correção da redação do ENEM, podemos ajudar aquelas pessoas que prestarão outros exames que também têm, em suas provas de produção textual o tipo dissertativo – argumentativo como FUVEST, VUNESP etc e almejando que todos os candidatos tomem consciência de que escrever proficientemente não serve somente para situações de seleção como vestibulares, exames como o ENEM e concursos públicos, mas sim e majoritariamente para a vida não só acadêmica e profissional, mas inclusive para a social, já que a linguagem permeia todas as nossas relações sociais, pois somos seres que não existimos sem o outro, já que não há língua e linguagem sem o outro, sem aquele que irá nos ouvir, ler o que escrevemos e responder ativamente a tudo isso, pois a compreensão é uma atividade dialógica.

No entanto, hoje, resolvemos abordar com um pouco mais de profundidade o outro lado da moeda da nota: a nota ruim, baixa e a nota zero, pois os candidatos têm, como obrigação não tirá-las; é o mínimo que se espera.

Recentemente chegaram às mídias escritas e virtuais (portais de notícias na internet) e o INFOENEM comentou, inclusive, redações que tiveram notas medianas (na faixa dos 500 pontos, já que a grade de correção do ENEM pontua de 0 a 1000 pontos) com conteúdos que não merecem estas notas, pois uma continha, no meio do texto, uma receita de macarrão instatâneo e outra, do mesmo modo, o hino de um time de futebol paulista. Todos ficaram estarrecidos com isso, criticaram a correção das redações do exame e o Ministro da Educação, o senhor Aloizio Mercadante, reiterou que o processo é sério, que os corretores são professores ligados às principais universadidades do país e afirmou que haverá mais rigor na seleção destes (vários até já foram excluídos do processo já em meados de abril para o ENEM 2013) e nos critérios da correção em si.

Porém, no Guia do Participante, documento publicado pelo MEC (Ministério da Educação) em setembro do ano passado e disponível para todos em seu site, na página 9, há a relação de razões que justificam uma nota zero e, a última delas é a presença de “impropérios, desenhos ou outras formas propositais de anulação” (MEC, 2012, p.9). A palavra “impropério” significa ofensa, ultraje, insulto, o que talvez não foi o caso das redações mencionadas, já que os candidatos não insultaram ninguém (nem o time cujo hino está no texto), mas as “outras formas propositais de anulação” dão margem para este tipo de quebra semântica, pois estes casos são exemplos de graves e sérias quebras semânticas (sentido) que, a nossa ver, foram propositais e não tentativas de surpreender o leitor como alguns candidatos fazem (o que será tema de outra postagem, já que ser criativo demais, em exames como o ENEM, pode ser prejudicial se não for feito com cuidado) e acabam “errando a mão” e quebrando toda a cadeia de relações e argumentos do seu texto, prejudicando-o semanticamente. Portanto, estes exemplo se encaixariam neste critério de anulação e, assim sendo, um dos modos de não se obter uma nota zero é não quebrar semanticamente a redação.

Outro critério de nota zero é a fuga total do tema, sobre o qual já falamos em outras postagens e, para isso não acontecer é fundamental que o candidato leia e compreenda corretamente a proposta de redação e a sua respectiva coletânea, já que uma prova de produção textual também avalia a leitura que o candidato fez do enunciado. Este é o primeiro passo para se distanciar do zero e almejar notas maiores e competitivas: ler e compreender adequadamente a proposta de redação e atender ao tema pedido; não precisa nem ser muito criativo, basta ater-se ao tema e não sair dele.

Outra questão que leva ao zero é o não cumprimento do texto dissertativo-argumentativo, isto é, ao invés de redigir este tipo de texto é escrever outro, como uma carta, uma narrativa, uma descrição generalizada, ou seja, no texto todo, já que falamos em um dos primeiros textos que pode-se começar, por exemplo, uma dissertação – argumentativa com uma narração. Por isso o candidato deve ter em mente toda a estrutura de um texto deste tipo, além de colocar a proposta de intervenção social que é um critério específico do ENEM.

Textos com até sete linhas e em branco também são anulados, já que é humanamente impossível escrever um texto como falamos aqui em sete linhas e, o em branco, mesmo que o candidato tenha escrito o rascunho, se na folha definitiva não há texto não há correção, pois o corretor deve considerar, apenas, o que está na folha definitiva de redação, já que há uma específica para o rascunho. Além disso, a redação deve ser escrita na folha defintiva à caneta para garantir sua correção, já que há vestibulares que consideram anuladas redações escritas à lápis.

Sobre copiar a coletânea, no ENEM, para efeito de correção e contagem de linhas escritas, a cópia dos textos chamados de motivadores ou ainda de questões objetivas acarretará na desconsideração do número de linhas copiadas, então, cuidado! É ideal, também, evitar ultrapassar o número de linhas disponíveis e escrever com letra legível para não prejudicar a correção do texto. O Guia do Participante afirma que o título é opcional, mas o consideramos fundamental na construção de uma dissertação – argumentativa.

Até a próxima semana!

 

*CAMILA DALLA POZZA PEREIRA é graduada em Letras/Português pela UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP – Atua na área de Educação exercendo funções relativas ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e Redação. Foi corretora de redação na 1ª fase e de Língua Portuguesa na 2ª fase do vestibular 2013 da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas/SP. Participou de avaliações e produções de diversos materiais didáticos, inclusive prestando serviço ao Ministério da Educação.

**Camila também é colunista semanal sobre redação do infoEnem. Um orgulho para nosso portal e um presente para nossos leitores! Suas publicações serão sempre às quintas-feiras, não percam!

 

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